Considerações

É intenção do autor desta viagem circundante à Serra da Gardunha, suas vilas e aldeias. Dar noticia do que julga ser importante para a sua história, e sua divulgação cultural e turística. Sabendo que: é sempre difícil ser justo, mas não há mal algum em tentar. E é tão só isso que nos move. A grandeza da Serra da Gardunha, documental, e física, não cabe num simples alinhado de frases, de mau português. Vou expor o que me vai na alma. Fica este trabalho aberto a todas as criticais e sugestões.

O convite está feito! A nossa viagem começa no nosso porto de abrigo, Fundão, e segue por: Joannes, Aldeia Nova do Cabo, Souto da Casa, S. Vicente da Beira, Louriçal, Soalheira, Atalaias, Castelo Novo, Alpedrinha, Vale de Prazeres, Alcaide, Donas e Alcongosta.   

 

 

Fundão

 

 

Aldeia de Joanes

 

Aldeia Nova do Cabo

 

Souto da Casa

Considerações

Há referências do Souto da Casa desde 1314. Vestígios encontrados e pedras com inscrições remontam para que este lugar tenha sido habitado por romanos. Souto da Casa e sua freguesia de S. Pedro tem em 2001, 984 vizinhos distribuídos pelos casais: da Courela e as aldeias de Vale Mindinho, Álvaro Pires e Vale d’Urso. Plantou-se num outeiro junto ao vale da ribeira da Gardunha, deixando estender o olhar à Cova da Beira e por todo o vale a caminho do Zêzere, com as serranias da Maunça o Picoto de Cebola. E mais longe a da Lousã, por onde o sol se esconde com o mais belo pôr-do-sol que nos é dado ver. A sua história humana está no seu património, no casario da urbe. Nos seus moinhos e fontes, ― terra do pão ― na fina farinha moída nos moinhos e azenhas que chegaram a ser: da ordem das dezenas. O saber documentado nas suas casas temáticas com um espólio notável, dádivas generosas dos seus cidadãos, que a junta de freguesia recolhe e guarda. Nas obras dos seus artificies, escritores e poetas. Nas tradições seculares, na tomada do Carvalhal, um hino ao direito, e à liberdade. A nobreza de um povo mede-se: pelo apego à liberdade, e no modo como lida com a natureza. Assim se afirma o seu carácter a sua forma de estar. Aqui se fez casa no souto, o Souto da Casa. Tal è a ligação afectiva, e poética à natureza. Uma viagem à Senhora da Gardunha no Casal dos Rebordões por entre hortas e aromas florais. Fala ainda mais alto Herculano Rebordão, no poema que dedicou a sua mãe:

  A água cascalhava na ribeira
entre azenhas empoadas de farinha

e numa velha ermida sobranceira
ouvia-se o rumor na capelinha

 Um dia fomos lá. Cada moleira
incorporou-se à tua ladainha;
sentia-se o moer da pedra alveira
e, em bailado, voava uma andorinha.


 Que oração tão formosa, tão sincera!
Era como se fosse primavera
nesses montes floridos a rezar!

 Tive vontade de beijar a santa,
mas como não chegasse a altura tanta,
foi no teu rosto que eu a fui beijar.

 

 Que mistério ecoa por estes sítios?... Onde as ribeiras têm nomes de fantasmas, sítios carregados de mistérios: O da Forca, Mouroussos, Cascalhais, Vale da Raposa o de Dona Maria, Ausência, o Cabeço de S. Gonçalo. Que nos leva a acreditar no mistério do abade do Souto do Casa. Que enviaram à Guiné nos anos de 1458. Entre a Guiné e Portugal, vivia-se uma grande azáfama de viagens, começava a grande epopeia dos descobrimentos portugueses. O rei Batimança pediu a Diogo Gomes para que o infante lhe manda-se um padre para o baptizar e aos seus, e também alguns animais. O infante assim fez. Em 1460 voltou á Guiné Diogo Gomes numa grande caravela tendo entrado pelo porto de Zaia. Sabe-se que o abade do S. da Casa chegado a Dom Jorge da Costa, embarcou numa destas viagens para a Guiné. Tudo aponta para Dom Martinho da Costa, irmão de Dom Jorge da Costa, o Cardeal Alpedrinha. A ser este o abade ficaria mais rica e completa a história do Souto da Casa. Dom Martinho foi uma figura notável da história da Igreja. Foi ele quem baptizou em 1502 o príncipe D. João, que depois foi Rei. Já como arcebispo de Lisboa nomeado em 1500. ― Na fome que todo o reino padeceu em 1503, mandou vir este perlado muito trigo de fora por sua conta, ele por sua própria mão o repartia já cozido aos pobres, e mandava distribuir pelas casas.― Contava Dom Martinho 87 anos de idade quando acompanhou a Sabóia a infanta D. Brites que foi casar com o Duque Carlos. No regresso adoeceu em Gibraltar e lá morreu. Em 28 de Novembro de 1521, dizem alguns que de paixão porque: D. Manuel não o deixou ser Cardeal. O seu sobrinho Cristóvão da Costa o transladou, e o fez sepultar na Sé de Lisboa. Nem só de grandezas se faz a história de uma aldeia honrada. Um exemplo maior é: a tomada do Carvalhal. Decorria o ano de 1890 a família Garrett, abastada e poderosa. Julgava que podia apoderar-se das terras do Carvalhal. Em, “Memória sobre o papel”, Estêvão Cabral escreve: ― Viajando eu pela Beira Baixa no Outono paffado de 1790, vifitei com efte penfamento algumas nafcentes de agua, e achei duas, que me parecerão huma optima, outra fufficiente ao intento. O intento era: a construção na ribeira do Ocreza de uma fábrica de papel. Mais adiante afirma: ― O ponto mais difficultofo he das madeiras para edifícios, e para obras em agua; mas por fortuna prefentemente nem eftas faltaõ. Para obras na agua a melhor madeira he carvalho, e azinho: do primeiro género naõ eftá mais que em diftancia de meia legoa o carvalhal naõ pequeno do Souto da Cafa, o qual pode dar troncos para muitas fábricas, fe o naõ acabarem de deftruir, como me referiraõ, que o vaõ deftruindo, fem outra utilidade, senaõ que os gados aproveitem a folha em quanto ella he verde, Carvalhos, e azinheiras n’eftes mefmos fitios; torno a repetir, faõ os incêndios os que os confommem. ― Uma pequena nota, nos dá conta do interesse sobre o Carvalhal. Como mais tarde verificamos. Em 1793 é feita uma petição àRainha, para que ela confirme o direito que o povo do Souto do Casa, tem sobre o Carvalhal. Petição assinada pelo procurador do povo: António José de Oliveira. Em 1794 em resposta a Rainha confirma: ― O dito povo do Souto da Casa, têm o domínio, e livre uso, em geral comunhão. ― Mais tarde os acontecimentos de 1890, em que a família Garrett. Tentou sem sucesso ficar com as terras do Carvalhal. Ficou o grito: de quem é o Carvalhal? é nnooossssooo!!!!!

 

 

S. Vicente da Beira

Louriçal

Soalheira

Atalaia

Póvoa de Atalaia

Castelo Novo

Alpedrinha

Vale de Prazeres

Alcaide

Donas

Alcongosta

 

 

 

 

POEMA DO MAR E DA SERRA

Ó mar de que não sei nada
Nem vejo que desvendar,
És só a mais larga estrada
Para ir e voltar!

Eu sou lá dos montes
Que medem o céu,
Sou das frias serras onde primeiro o Sol nasceu
E onde os rios ainda são apenas fontes.

Sou de onde as árvores falam
A língua que eu conheço,
Onde de mim sei tudo
E do resto me esqueço.

Lá, tenho olhar de estrelas a luzir
E tenho voz de guardador de rebanhos,
Passos de quem só desce p'ra subir,
Mãos sem perdas nem ganhos.

Contigo falo, ó mar,
Se a Lua vem do céu passear no mundo,
Tornando-te a planície do luar
Sem ecos nem mistérios de profundo.

Mas só lá sou da terra e a terra é minha,
Só lá eu sou do céu e o céu é para mim,
Ó serra aonde há tal serenidade
Que nada tem começo
Nem fim.

 

Branquinho da Fonseca

 

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       Diamantino Gonçalves   _   Equipamento: Nikon D200, D300, algumas lentes, PC, e outras miudezas.           Contactos: dbgoncalves@netvisao.pt - info@dbgoncalves.com     Fundão.  Portugal